sexta-feira , 23 Fevereiro 2018
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Bright – Uma ótima idéia que foi (infelizmente) mal executada [Crítica]

Trazendo em dezembro do ano passado uma mistura entre fantasia, ação e crítica social, Bright é uma renovação do conhecido formato de thriller policial onde dois oficiais precisam lidar com suas diferenças para salvar o dia.
A premissa do filme original Netflix pode surpreender os céticos: Somos apresentados a uma sociedade contemporânea onde humanos e criaturas fantásticas como Orcs, Elfos, Fadas, e Centauros convivem em aparente harmonia. Logo no início percebemos, contudo, que nem tudo é uma utopia. Há problemas claros, como um estigma social sobre os Orcs e uma distribuição injusta de “status”. No filme, Elfos são os pomposos habitantes dos bairros mais ricos enquanto grupos criminosos são clãs orcs ou gangues humanas.

David Ayer, o diretor foi quem reescreveu o roteiro original de Max Landis. Para quem não lembra, apesar do sucesso de seu filme Training Day (2001), David Ayer também foi o responsável pelo mal recebido (fiasco) Suicide Squad (2016) e fazendo uma previsão rápida, Bright não será o futuro título de destaque desse diretor.
O motivo é simples: O filme mostra um conjunto completo e profundo de possibilidades para uma aventura imersiva e densa, que poderia mergulhar em problemas de preconceito, relacionamento e dramas cotidianos com os quais todos podemos nos identificar, mas ao invés disso se volta para uma história rasa e clichê sobre uma seita que intenciona trazer um grande mal para o mundo e apenas os escolhidos podem impedí-lo.

Sem poupar criticismo, o nível da falta de originalidade é tão alto que traços genéricos como “a profecia sobre um herói salvador” ou a “invasão do Lorde das Trevas” são parte do roteiro. Will Smith, no papel de Daryl Ward, interpreta o policial rabugento que apesar dos problemas financeiros tenta ser um bom marido e pai e acaba envolvido nessa aventura com Nick Jakoby, interpretado por Joel Edgerton, o Orc que é odiado pelos Orcs por ser policial e pelos humanos por ser Orc.
A atuação de ambos merece os parabéns. Will Smith consegue transmitir a tensão do oficial sob pressão tão bem quanto esperaríamos de um ator experiente como ele, e Joel Edgerton, apesar de irreconhecível, mostra com nitidez os problemas de ser a ovelha negra entre seus semelhantes e entre seus colegas de trabalho.
Todavia, por ser um filme sem profundidade, não há um espectro muito abrangente de expressões, e as atuações não são dignas de qualquer indicação à Oscar.

Concluindo, Bright traz um conjunto de boas possibilidades, mas que acabam desenvolvendo em uma sequência de ação simples, uma história repetitiva e uma experiência de entretenimento sem profundidade. Fica a sugestão apenas para quem gosta do estilo ação policial, crimes, e fantasia, mas não para quem quer ver um ótimo e memorável filme de ação policial, crimes, ou fantasia, já que Bright não é.

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