quarta-feira , 17 janeiro 2018
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Colossal – Surpreendente em todos os sentidos

Escrito e direcionado por Nacho Vigalondo, Colossal é designado pelo Internet Movie Database como um filme de comédia, ação e ficção científica.
‘Mais uma comédia romântica’ é a idéia que alguém pode ter após assistir o trailer e sua abordagem inusitada e cômica, mas a surpresa é colossal quando fica claro que o filme trata sobre muito mais que isso.

 

Apesar do filme ter, de fato, um ar cômico e um conjunto de situações inusitadas, o que torna a trama realmente cativante é o contraste entre o real e o fantástico. Se por um lado temos um monstro gigante destruindo a capital da Coreia do Sul, por outro temos a complicada realidade de Gloria (Anne Hathaway) que precisa organizar sua vida após ser deixada pelo namorado, Tim (Dan Stevens).

Desde o início, Gloria é apresentada para a platéia como uma personagem desorganizada, com problemas de alcoolismo e confusa sobre que caminhos tomar na vida. Romper com o namorado a obriga a se mudar de Nova Iorque e voltar para a cidade natal, no interior dos Estados Unidos. Em sua nova casa, reencontra o amigo de infância Oscar (Jason Sudeikis) que é dono de um bar e recebe a oferta de emprego como garçonete.

O filme na primeira metade tem um ritmo de comédia romântica. Há um interesse amoroso num dos amigos de Oscar, e um sentimento descontraído no bar e em sua nova casa. Até mesmo o aparecimento de um monstro gigante do outro lado do mundo e a posterior descoberta que o monstro e Gloria estão conectados é encarada de forma descontraída.

Todavia, do meio para o final, o tom muda sutil e definitivamente. O que poderia ser uma comédia romântica se torna um complexo drama de relacionamento, onde algumas amizades se provam tóxicas para a protagonista e surgem conflitos entre Tim, Oscar, e Gloria.

O filme transparece sem escrúpulos a nuance mais perigosa dos relacionamentos abusivos, a necessidade de controle e a instável dinâmica social de amizades. Em certos momentos pode-se pensar que esse filme poderia acontecer sem qualquer monstro gigante, mas noutros sua importância acaba incontestável.

É um filme onde vemos personagens ‘pés-no-chão’, presenciamos chantagens, discussões e conflitos, lidamos com problemas pessoais como uso de drogas, mudança de hábito e a busca por um rumo na vida.

Anne Hathaway está incrível em seu papel que mescla momentos sentimentais, dramáticos e descontraídos, deixando a desejar apenas um pouco mais de força, mas isso é algo a ser pedido para a personagem, Gloria.

A argumentação é boa, definitivamente acima da média, e os amigos de Oscar, especialmente Garth (Tim Blake Nelson), conseguem compôr com a mesma naturalidade os momentos cômicos e os momentos pesados. Infelizmente contudo, não há oportunidade de desenvolver mais que o básico os personagens secundários (em verdade, mesmo os principais poderiam ser mais aprofundados).

Por fim, Colossal é um filme que vale a pena ser assistido. Certamente não é um filme romântico, pelo contrário, mostra alguns dos riscos em relacionamentos. É um filme que poderia ter mais ação, mais comédia, mais drama ou mais monstros e robôs gigantes, contudo todos esses elementos estão presentes de forma bem organizada e dosada. Para o filme ser melhor, só se tivesse mais uma hora. (a duração de 1h 49min passa voando).

Colossal estréia no Brasil  dia 27 de abril.

 

 

 

 

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