quarta-feira , 17 janeiro 2018
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Covenant – O que Alien tem de Melhor e de mais Ousado! [MEGA Resenha]

É impossível descrever a experiência de Alien: Covenant sem traçar um paralelo entre os filmes clássicos da franquia, as inúmeras HQs, e seu controverso antecessor, Prometheus (2012).

Alien criou sua identidade e a identidade do terror espacial nos primeiros filmes da franquia

Na quadrilogia clássica de Alien (1979 a 1997) temos a construção de uma das criaturas mais icônicas do terror sci-fi, assim como a estruturação e aperfeiçoamento do que se tornaria a definição do terror espacial. Nesses filmes aprendemos que o espaço sideral é claustrofóbico e hostil, estejam os personagens numa nave, numa lua, numa base espacial ou em qualquer outro lugar. Aprendemos que humanos, sejam cientistas, soldados ou simples colegas tripulantes, podem ser tão perigosos quanto qualquer criatura alienígena, e que mesmo os androides (humanoides sintéticos), não estão isentos de suspeitas.

Os filmes transmitem perspectivas diferentes de um terror comum: A impotência frente a um predador desconhecido e fatal, o Xenomorfo, e a possibilidade ainda mais horripilante de ser usado para incubar uma dessas criaturas.
Além disso, os quatro filmes utilizam de efeitos práticos para dar realidade ao Xenomorfo, enredos onde o tom de intriga gera uma constante suspeita, e, claro, um Screenplay que tentar sempre pegar o telespectador desprevenido em perigos repentinos.

Tendo colocado na balança o tom da franquia pré anos 2000, é momento de dar uma  pincelada nas Hqs.

Publicadas pela Dark Horse Comics desde 1988 até hoje (a mais recente é de 2014, Alien: Fire and Stone) o universo do cinema foi expandido sem limites. São dezenas de histórias one shot, séries originais, adaptações dos filmes e spin offs com outros personagens, como Batman, Lanterna Verde, Super Man e seu inimigo mais tradicional, o Predador.

Devido à liberdade dos autores em expandir um mundo ainda inexplorado pelo cinema, muitas das teorias de fãs e possibilidades que mesclavam ação e ficção ganharam histórias e foram publicadas. É muito importante salientar que entre essas criações eram colocadas em discussão a fisiologia do Xenomorfo, a relação entre humanos e sintéticos e maiores explicações sobre como era o futuro onde aconteciam os enredos.

O momento mais frutífero para as HQs talvez tenha sido o hiato entre Aliens (1986) e seu sucessor, Alien 3 (1997). Aliens foi indicado para 7 Oscars (entre eles o de melhor atriz para Sigourney Weaver) e venceu 8 Saturn Awards, um prêmio específico para filmes de terror, fantasia e ficção científica. O público queria mais desse mundo, e mais da metade de todas as Comics publicadas foram nesse espaço de tempo.

Os quadrinhos perderam força depois que Alien 3 trouxe um tom fatalista e dramático para a série, e Alien – A Ressureição foi um ultimato que desagradou os fãs sendo o filme mais limpo, com maior uso de computação gráfica e com os ambientes mais iluminados até então.

Após um complicado processo de produção, 15 anos depois chega nos cinemas o controverso Prometheus.

Sem “Alien” no nome, trazendo uma proposta diferente de seus antecessores, com uma participação ínfima da criatura que imortalizou sua imagem nos anos 80~90, e tendo uma história que acontece cronologicamente muito antes de Alien – O Oitavo Passageiro, Prometheus (2012) foi criticado negativamente pelos fãs e pelos especialistas, e a opinião geral foi quase unânime ao acusa-lo de ser confuso, ‘não-científico’ e incoerente com o universo construído até então.

Todavia, tais acusações deixam de considerar que Prometheus marca o início de um novo design para a franquia, feito para um público que já passou por décadas de terror espacial, e idéias inventivas em sci-fi.
Não apenas a história estava sendo redesenhada antes dos eventos do primeiro filme, como também a abordagem muda, e o foco cai sobre perguntas sobre a origem do Xenomorfo, questionamentos sobre o limite ético para a tecnologia, genética e busca pelo conhecimento. O filme traz questionamentos filosóficos que nenhum outro título de Alien havia apresentado até então: são contempladas a busca pela vida eterna, questões sobre o surgimento da vida na Terra e do homem no planeta. Tensão sem precedentes, ação rápida e criaturas inéditas até então abrem o caminho para sua continuação.

 

 

 

 

Enfim, mesclando os acertos e a ousadia de tudo que veio antes, Alien – Covenant

Alien – Covenant é um filme que apesar de servir como continuação de Prometheus, acontece cronologicamente 10 anos depois deste.

A nave colônia Covenant leva 2000 colonos em sono induzido e 1100 embriões em resfriamento para um distante planeta com condições favoráveis à sobrevivência humana. Após um problema causado por uma explosão solar, os membros da tripulação da nave despertam e descobrem estar próximos de um outro planeta com condições igualmente favoráveis para colonização. A trama se inicia quando é tomada a decisão de pousar nesse planeta, aparentemente inabitado, para decidir se o destino inicial deve ser substituído.

Como esperado por um telespectador atento, o planeta não é tão deserto quanto parece, e um possível paraíso inexplorado de mostra um pesadelo transformado em realidade.

Evitando com cuidado spoilers sobre o enredo, é fácil dividir o filme em três atos, e, após a introdução acima, estabelecer todas as relações entre essa e as outras produções.
Covenant é a prova que a franquia Alien ainda está viva, e que Ridley Scott continua sendo incrivelmente capaz de nos surpreender.

O primeiro ato se inicia com uma demonstração imediata de terror espacial, onde o inimigo é a natureza em si. Temos uma introdução rápida dos personagens e da dinâmica entre eles. São pouco mais de uma dezena de tripulantes, todos casais, e entre eles um sintético.  Uma tensão imediata entre Daniels (Katherine Waterston) e o novo capitão da nave, Oram (Billy Crudup) inicia o clima de tensão e suspeita que se prolonga até o fim do filme sob diferentes formas, entre diferentes personagens.

O pouso no planeta e os eventos subsequentes não trazem surpresas. O tom é de preparação para alguma ameaça, e a infecção de alguns exploradores é mostrada em primeiro plano e sem mistérios para quem está assistindo o filme.
Apesar de ser em essência o mesmo processo de infecção, incubação e nascimento da criatura, o momento é de tensão e pavor tangíveis, e a atuação de Amy Seimetz, interpretando a personagem Faris, é particularmente tocante e convincente.

O segundo ato é onde o filme tem seu auge e, para grande surpresa, diferente de na franquia clássica e semelhante a Prometheus, o foco deixa de ser um predador alienígena para se tornar uma trama complexa entre dois sintéticos.
Michael Fassbender tem seu momento e mostra do que é capaz em cenas compostas por argumentação, trabalho de fotografia e atuação impecável. A profundidade é visualmente singular, e os temas abordados merecem atenção ininterrupta.

Nesse momento temos a resposta de várias perguntas que surgiram no final do filme antecessor, e inevitavelmente somos levados a mais dúvidas. Temos flashbacks e uma narrativa explicando os eventos anteriores à chegada dos protagonistas do planeta, mas isso apenas fomenta ainda mais a curiosidade sobre o que aconteceu e o que está acontecendo.

Temos a apresentação oficial da nova criatura, chamado informalmente (pelos fãs) de Neomorfo e alguns dos melhores diálogos, melhores cenários e ambientes mais intrigantes do filme. As sequências de ação são de tirar o fôlego, e diferente dos primeiros títulos temos uma exposição maior da criatura. A tensão furtiva é substituída por momentos de tensão onde o Neomorfo é mostrado em primeiro plano, em luz e em foco, o que cria um horror ousado e primoroso.

Neomorfo

É necessário também ressaltar que como a criatura é feita e animada em computação gráfica, dessa vez foi possível tornar a criatura muito mais agressiva, veloz e violenta que antes. Nunca até então outro xenomorfo transmitiu tanta ferocidade quanto em Covenant.

O terceiro ato é o momento onde enfim o restante da tripulação consegue alcançar a nave e voltar para o espaço, mas ainda há uma ameaça a ser combatida. É um complemento um pouco previsível e desnecessário para um filme que já mostrou o que poderia oferecer, mas serve de último instante de suspeita e tensão.
Uma homenagem a Alien e Aliens, o terceiro ato é simples e permeado por uma crescente dúvida que culmina na descoberta que encerra o filme.

Trazendo um roteiro conciso e criativo para uma história que vai muito além e pede continuação, terror espacial direto e feroz, muitas respostas e muitas perguntas, e uma estrutura que redesenha o perfil da franquia original, Alien Covenant é um filme que agrada o público geral pela ousadia, mas tem seu maior brilho quando posto em comparação com seus antecessores, e é um prato cheio para os fãs.

As tentativas clássicas reconstruídas numa perspectiva mais atual tornam esse título uma obra viva. O universo rico e mesmo assim inexplorado das HQs se projeta nos questionamentos filosóficos e éticos que atravessam o filme. O clima exuberante, sutil e ameaçador da descoberta de segredos num lugar desconhecido é um remanescente de seu antecessor, e todos esses pontos tornam Alien Covenant uma obra completa em retrospecto e promissora em expectativa.

Alien estreia no Brasil dia 11 desse mês. Assista o trailer:

 

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